Oi gente, tudo bem?

Ultimamente o que mais vemos nos jornais e telejornais são notícias de violência, daquelas de arrepiar a espinha e rezar pra não acontecer com a gente ou com quem amamos.

A recomendação e orientação que mais recebemos é sempre em não reagir e entregar tudo pros bandidos, pra assim evitar um final pior.

Até aí, tudo bem. eu sempre fui aquela pessoa que dei mil conselhos pros meus irmãos mais novos sobre NUNCA reagir ao assalto e entregar tudo o que for pedido, independente do valor do bem material, pois a vida não tem preço.

Sim, na teoria, sempre fui assim e sempre foi fácil falar, já havia sido assaltada no trânsito, perdido relógio e celular, mas estava sozinha ou acompanhada de amigas nas ocasiões passadas.

Ontem pra meu desespero, eu estava com a Clara já na cadeirinha dentro do carro e aconteceu o que eu sempre temi: 2 pivetes no meu vidro com uma arma.

Eu moro em uma rua super movimentada, onde passa gente a pé o dia inteiro e carro também. Na frente da minha casa tem uma multinacional que entra e saí caminhão o tempo todo. Inclusive na frente do meu portão é a guarita do Laboratório e isso sempre “tranquilizou” meu Marido e a família dele, que moraram em nossa casa por mais de 30 anos e nunca aconteceu nada.

Quando nos mudamos, a primeira coisa que falei, ressaltei e falei milhões de vezes era que meu carro não caberia na garagem, que eu sempre iria sair sozinha com a Clara e as trocentas coisas que se leva pro berçário e as minhas e que no fim do dia, já noite, meu Marido teria que me esperar no portão.

Quem é mãe sabe o tempo que se perde pra colocar e tirar os bebês do bebê conforto ou cadeirinha e neste momento sempre tive medo de algo acontecer.
Enquanto Clara usava o bebê conforto, eu já a colocava dentro de casa e era só adaptar no suporte já fixado no carro, ou seja, era mais rápido do que agora com a cadeirinha.

Toda vez que eu falava do medo do meu carro dormir na rua e eu ir e vir toda hora com a Clara e na maioria das vezes sozinha eu escutava: eu cresci aqui, nunca nada aconteceu, aqui é seguro, tem o Laboratório na frente, eu sou daqui, os “manos” não vão mexer com a gente.
Escutei isso do Marido, da sogra, da cunhada de todo mundo e tive que ficar quieta, pois naquela ocasião não tinha grana pra trocar o portão.

Mas ontem, às 7 horas, não adiantou eu morar na frente da guarita do laboratório, minha casa ser numa rua movimentada, estar passando gente na rua, meu Marido ter crescido ali. Nada impediu de 2 pivetes encostarem no meu carro, me apontarem uma arma e tentarem me assaltar.

Meu ritual toda manhã pra entrar no carro é o seguinte:

Coloco Clara na cadeirinha que fica no lado direito do carro, abro a porta do lado do motorista, vou até a porta de casa, pego as bolsas, coloco no carro, entro e já travo as portas, antes mesmo de dar partida e colocar cinto de segurança e foi exatamente o costume de eu travar a porta que me protegeu ontem.

Ontem, assim que eu sentei no carro e estava colocando a chave na iguinição do carro, o primeiro pivete tentou abrir minha porta e quando ele viu que estava travada, o outro apareceu, ergueu o moletom e mostrou a arma batendo no meu vidro.

Foram segundos, onde tudo ficou branco e só o rosto dos dois moleques e a arma era o que eu enxergava.
Eu cheguei a colocar a mão na trava pra abrir o carro, mas pensei:

E se eles fogem de carro e levam minha filha?

Foi nesta hora que dei partida, o carro morreu, dei partida, nem olhei pro lado e arranquei com o carro.
Neste momento, eles me xingaram de FDP e saíram correndo.

Ainda na minha rua, eu chorava e tremia desesperadamente, liguei pro meu Marido e aos berros de pânico falei o que tinha acontecido.
Não enxergava nenhum carro do meu lado e já estava em plena Marginal Tietê às 7:10, no maior trânsito.
Enquanto isso, Clara estava na cadeirinha, comendo suas uvas, cantando e conversando comigo de uma forma mais alegre, com uma carinha que tentava me transmitir paz e eu tentava me acalmar pra ela não perceber que algo estava errado.

Tudo deve ter levado menos de 5 minutos, mas fez um estrago enorme em mim.
Sim, estou em pânico e por mais que todo mundo me fale, tente me acalmar, eu sei o que estou sentindo.
Me pego chorando do nada ao longo do dia, a cena não saí da minha cabeça, toda vez que entro no carro agora fico gelada e começo a tremer com medo.

Não voltei pra casa, dormi na minha mãe com a Clara e confesso que estou morrendo de medo de voltar pra lá e ter que sair sozinha com minha filha pela manhã.

Não acho que tenha sido algo marcado, pois meu carro não chama tanto atenção e esta semana eu saí totalmente fora dos meus horários habituais.
Acredito que tenha sido 2 nóias mesmo que não estão nem aí com a vida alheia

Ontem mesmo no fim do dia, Marido foi com uma empresa pra ver o portão e hoje já começaram a instalar um portão maior e ele será elétrico.

Só tenho a agradecer à Deus e toda energia positiva que me acompanha pela proteção ontem e de todos os dias de minha vida, agradecer às mensagens de carinho e conforto que recebi de vocês, dos meus amigos e familiares e por mais que eu tenha reagido, tentem não reagir.

Que Deus nos proteja sempre e que nossas famílias estejam sempre guardadas ao lado do bem e que possamos um dia voltar a ter paz, harmonia, tranquilidade e o direito de ir e vir sem medo e pânico.

E assim, com meu bem maior, meu grande amor eu acabei meu dia de ontem. Graças à Deus nada de grave aconteceu 

Beijos

Share Button

Comentários

  1. Um susto, amiga! Nem gosto de pensar…
    quando Luna nasceu tinha um carro no estilo jipe, bem chamativo e troquei por medo de assalto, sequestro, sei lá… infelizmente vivemos sob o domínio da violência, mas não podemos parar! bola pra frente e muito aconchego pra vcs!!

  2. Minha nossa! Que absurdo isso! Onde vamos parar com tanta violência?! Tenho uma filha de 11M, e costumo sair de carro com ela também. Fiquei aflita e chorei ao ler seu relato. Pensei no seu desespero, do seu medo, aflição. Pensei no seu coração de mãe nesse momento. Esse instinto materno de “arrancar” o carro com medo que levassem a Clara, com certeza eu também teria agido assim, apesar de também não concordar em reagir, mas quando algo envolve nossas crias tudo muda de rumo. Que Deus ilumine seu caminho e de sua família sempre. Com certeza os anjos protetores seus e de Clara estavam ali naquele momento. Um grande abraço de mãe. Fiquem em paz!