Quando a excecao vira rotina na alimentacao infantil

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Estes dias postei na fanpage que comecei a planejar minhas tão sonhadas férias, que estão vencidas desde maio, mas resolvi marcá-las para janeiro e super aproveitar com a Clara. Comentei por lá que estou em busca de hotéis bacanas, que caibam no bolso, mas que também tenham opção saudável e adequada para crianças no cardápio, afinal, quando a exceção vira rotina na alimentação infantil, a confusão está feita e voltar a ter as rédeas é mais difícil do que se possa imaginar.

Algumas leitoras concordaram comigo, outras nem tanto, e algumas nem um pouco. Respeito todas as opiniões, mas não posso deixar de alertar o que acontece quando a exceção vira rotina na alimentação infantil, aí cabe o livre arbítrio para cada uma de nós, não é mesmo?

De todas as mensagens que recebi, teve uma que super me tocou, porque é a mais frequente nas casas que atendo. Sempre ouço: comeu pela primeira vez na casa da avó, deram pra ela sem eu deixar, ela viu na escola e agora quer sempre. Partindo destas afirmações, me choca ver tamanho desrespeito com a forma de educar que os pais escolhem para seus filhos. Pra mim, é inadmissível uma pessoa oferecer algo pra uma criança sem perguntar para os pais. É obrigação dos pais deixarem claro como querem seguir com a alimentação de seus filhos, uma vez que ainda existe muita falta de informação ou evolução nos pensamentos de algumas pessoas que logo retrucam: comi a minha infância inteira e não morri! E as pessoas ao redor, seja elas quem forem, DEVEM RESPEITAR e ponto!

Pergunta: como a gente faz para voltar aos nossos ideais? Eu sempre briguei e bati pé pelas coisas que acreditava ser as melhores, lutei contra as bolachas, mas acabei cedendo com ressalvas. Eu lutei contra os doces, mas na casa de uma amiga, o filho dela deu o primeiro pedaço de chocolate para a minha filha (na época com 1a 9m). Na casa da minha mãe ela acabou comendo bala “TIPO DE GOMA, MAS QUE É REMÉDIO E VENDIDA EM FARMÁCIA” (morri em milhares de categorias e nem quero pensar muito na qtdade de químicos e corantes que vão nisso), e teve “CEREAL AQUELE DO TIGRE” com açúcar, pipoca de micro-ondas e pipoca de panela com ACHOCOLATADO. Nos últimos dias tomou o iogurte da outra avó, industrializado sabor morango (eu chorando por dentro, sempre dei o integral com uma colherzinha de mel) e foi praticamente a única coisa que comeu o dia todo. E toda semana tem um chocolate. Hoje ela pediu chocolate. Ou seja, fui abrindo exceções e agora cada exceção é uma regra. Eu não tenho a alimentação super top que gostaria, mas em geral me esforço: integral, sem sal, sem açúcar. Compras na feira ou na lojinha “natureba”. Já o papai é daqueles “que mal tem?”. Toma refrigerantes, adora doce, bolacha recheada e afins. Tive o maior trabalho para convencer… Mas e agora? Como faço pra voltar pros meus ideais? Sem açúcar, sem corante, sem refinados ultraprocessados e aditivos misteriosos… como faço para a exceção ser mesmo um unicórnio e não mais parte da rotina? – Leitora do blog

**** Tirei a marca dos produtos e coloquei em letra maiúscula, pois não é uma questão de marca e sim de produto e qualquer produto da mesma categoria é da mesma forma errado, principalmente nesta situação. ****

Se a criança fica 3X na casa dos avós e ela ela come bolachas doces, não é exceção. São 3X na semana e o pior, na casa da avó pode e na casa em que mora não!

Se a criança vai em festas todos os fins de semana e lá come tudo o que quer, desde salsicha, nuggets, brigadeiros, doces e afins, não é exceção. Salsicha e nuggets nunca deveria ser dado para a criança, ainda mais em um ambiente que tem trocentas outras opções.

Se no lanche da escola tem gelatina de sobremesa 2X na semana, não é exceção.

Exceção é comer tender na ceia do Natal, é comer bacalhau na sexta feira santa, conseguem entender? Exceção não pode ser considerado algo que acontece toda semana.

Quando a criança começa a poder certas coisas em determinados locais, e ela gosta (o que é muito comum, pois normalmente são preparações ricas em açúcar que já é comprovado que vicia, com realçadores de sabor que também vicia as papilas gustativas), fica mais difícil você querer que ela siga uma alimentação saudável, principalmente até os 5 anos, quando é uma fase de muitas mudanças na cabecinha delas.

É uma fase onde elas querem mandar e sem saber as consequências de seus atos, choram, fazem escândalos e nos vencem pelo cansaço. É aí que mora o perigo, pois depois não vamos conseguir manter o hábito correto.

Seu filho pode comer super bem, todas as frutas, verduras e legumes, mas para a exceção virar regra e este quadro mudar é mais fácil do que você pode imaginar.

Já pensou como pode ser confuso para a criança ficar 30 dias de férias, comendo tudo que não pode comer os outros dias? Já pensou como é confuso para criança ficar 30 dias podendo comer sorvete todo dia, chocolate todo dia, lanche todas as noites no lugar no jantar e de repente, em um belo dia nada mais disso pode e ela tem que comer arroz e feijão? Férias não é sinônimo de comer só besteiras, assim como os demais dias não são só para comer comida. É preciso o equilíbrio os 365 dias do ano, mas sempre respeitando a faixa etária da criança.

Uma criança de 1 ano e 9 meses NÃO deve comer chocolate, um bebê de 10 meses NÃO pode comer biscoito de maizena, um bebê de 8 meses NÃO pode tomar leite engrossado com engrossante famoso cheio de açúcar, uma criança de 1 ano e 5 meses NÃO pode comer petit suisse industrializado.

Quando a excecao vira rotina na alimentacao infantil

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Depois que a exceção virou regra, o correto é sempre conversar com a criança e explicar que tal alimento não faz bem e claro, não comprar, não oferecer, não dar em hipótese alguma até ela esquecer. Vai ter choro? Vai! Ela vai ficar sem comer o que você quer? Vai! Mas você não vai ceder, você não pode ceder! As rédeas da alimentação de seu filho é sua, não dele. É você quem determina a qualidade da alimentação dele e ele a quantidade do que vai comer.

Invista em pratos harmônicos, use a criatividade para chamar a atenção da criança com um prato de comida saudável, vá pra cozinha com ele e faça biscoitos caseiros, com menos açúcar e ingredientes desnecessários.

Clara quando desmamou virou bezerra. Só queria leite de vaca e queria trocar todas as refeições por ele. Ela tinha 2 anos e 2 meses. Depois de 40 dias tomando mais leite de vaca do que é indicado para sua faixa etária, ela começou a ficar mega congestionada, cheia de coriza, sua dermatite atópica piorou e claro, nada de apetite. Foi aí que resolvi cortar o leite de vaca e dar leite vegetal, mais especificadamente o de inhame para dar um up na imunidade dela. Gente, foram 4 dias de escândalos homéricos na hora do leite. Ela chorava, esperneava porque queria o leite de vaca, mas eu insistia que ela não podia tomar leite de vaca porque dava coceirinha no braço dela e deixava o nariz dela dodói. Hoje, ela toma leite de inhame batido com frutas, puro com canela ou só com cacau e fala pra todo mundo: – Clara não pode tomar leite de vaca porque dá dodói nela!

Mantenham sempre o foco, tenham paciência, acreditem, pois é possível. É difícil, mas é possível!

Beijos.

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Comentários

  1. Muito bom Paola! Concordo com tuuuuuuudoooooo! Aqui em casa também é assim, talvez um pouco menos, pois alguns industrializados como iogurte e leite fermentado entram na rotina, mesmo sabendo que não são as melhores opções. Sabe, lutar contra o mundo cansa, viu?! Acabo afrouxando as rédeas de vez em quando… Mas não sofro com isso. Léo come verdinhos, amarelinhos, rosinhas, laranjinhas, todas as cores, sem preconceito. Integrais e tudo o que é natural.

  2. Eu tento não ser radical com a alimentação da Aurora (23 meses), então em casa, ofereço sempre frutas… Mudei minha alimentação. Não compramos refrigerante, bolacha recheada, wafer, chocolate parafina (sempre prefiro os amargos com mais concentração de cacau) e nem salgadinho ou miojo. Na casa dos avós e dos bisos, Aurora come bolachinha, rosquinha, chipa… Mas normalmente quando vamos lá eu já dou alguma fruta antes de sair de casa e ela acaba não comendo muito (exceto a chipa caseira da bisa, que aí não tem negociação, hahaha). O mais difícil mesmo é reeducar os pais, eu adoro uma porcaria e tive de me conscientizar que isso não faz bem e tem tanta coisa prática no mercado e tão cheia de conservantes… É difícil mesmo, o apelo das marcas é muito forte, as crianças já são induzidas a comprar porcarias desde muito pequenas.