Minha avó materna que por muitas anos também foi minha mãe, era aquela avó típica, sabe?
Aquela que cozinhava as comidas preferidas de todos os netos, mimava, brigava, chamava atenção e queria todos ao seu redor, unidos e reunidos. Ela era do interior de São Paulo e tinha todas aquelas manias, ou melhor, “lendas” e ditados e eu me divertia com ela falando.

Quando minha mãe morreu e passei a morar com ela e minha tia (minha atual mãe) e chegava a hora de dormir, eu queria falar mais que o homem da cobra e ela fazia uma brincadeira que até hoje me lembro emocionada e dou risada. Ela falava que quem dormisse primeiro iria ganhar um doce de manhã indo pra escola e a gordinha apaixonada por doce aqui ficava perguntando:

– Vó, você já dormiu? Eu já dormi e dormi primeiro, né?
E ela toda doce e morrendo de sono falava que eu tinha dormido primeiro, mas precisava ficar quietinha pra valer rs.

Ela não era a mais doce das pessoas, pra ela não existia “papas” na língua, mas ela era a dona do maior coração do mundo.
Sinto falta dela, fico imaginando como ela seria com a Clara.

Minha avó paterna, era uma Lady! Ela faleceu em dezembro de 2012 e amanhã faria 90 anos.
Ela era doce, amável, delicada, culta, viajou o mundo e sempre trouxe mimos pra todos os netos.
Reunião em família? Era com ela mesmo. Lembro que na nossa infância, era lei os almoços de domingo em sua casa.
Foi ela quem me deu minha primeira mesada e todo dia 10 ela vinha com o envelopinho com nossas mesadas. E na Páscoa que comprava ovinhos de chocolate pra ajudar a Paróquia e nos enchia de chocolate.
Clara a conheceu, mas não a aproveitou, pois ela já estava bem debilitada, mas ela olhava pra Clara e sorria ao ver sua primeira e única bisneta.

 

Agora a avó do ano é sem dúvidas nenhuma minha mãe amada.
Ela falava que era cedo pra eu engravidar, que eu devia aproveitar mais a vida, viajar, me estabilizar mais financeiramente, me deu uma certa bronca quando contei sobre a gravidez (isso porque eu tinha 33 anos, tá?), mas em pouco tempo ela se derreteu.
Fazia, ou melhor, pedia pra sua ajudante fazer todas as comidas que eu queria: Arroz, abobrinha, carne moída refogada diariamente, ajudou MUITO com as coisas da Clara e quando ela nasceu, se transformou em outra mulher.

Ela não é aquelas avós de cabelo branco, enche a neta de guloseimas e etc, mas ela enche de amor, cuidado, carinho. Foi a primeira pessoa a conseguir tirar a Cria do meu colo. Sim, Clara não ia nem pro colo do Marido, só o meu e da avó.

Ela canta, conta história, faz caretas, grita e senta no chão pra brincar. É o máximo e Clara adora.

Já avô, tenho poucas lembranças dos meus, pois eles faleceram quando eu tinha poucos anos, mas lembro-me do Vô Décio (avô materno) e sua sutileza e carinho ao ficar comigo.

 

Clara é sortuda, tem meu pai como seu avô rs. Ele não curte muito quando ela está chorando e o dia mais feliz da vida dele foi quando ela saiu do colo da avó e foi pro colo dele.
Ele vivia dizendo que não via a hora de chegar a fase dela bagunçar ….. Pois bem, a fase chegou e quero ver como será esses dois.

 

Ah! Vó, vô é tudo de bom, são aqueles que nos amam duplamente, né?
Sempre fui muito amada pelos meus avós e sempre os amei muito.
Sinto falta deles.
E sou muito feliz pelos avós que Clara tem.
Ela também tem os avós paternos e a bisa paterna.

Parabéns à todos os avós.
Beijos

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