Parece óbvio para gente, mas nem sempre pode ser para os pais. E, não sei explicar cientificamente o porquê. Mas, posso falar o que aconteceu aqui em casa comigo, marido e a Clara! De repente eu percebi que eu precisava ajudar o marido e com isso, pratiquei o mantra “trazendo o homem para a função de pai.

Quando Clara tinha 5 meses e meio, eu voltei a trabalhar, trabalhava de segunda à sábado e 2 domingos no mês. Durante a semana, ela ficava no berçário, mas nos feriados, sábados e domingos, ficava com o Marcello, meu marido e pai da Clara.

Ele cuidava dela direitinho, dava o leite ordenhado de colher, pois ela não aceitava copo de transição, esquentava as papas que deixava congelada e o leite materno em banho maria. Dava banho, brincava, trocava. Enfim, fazia tudo!

Com 11 meses, eu saí deste trabalho e, comecei a ter os finais de semana livres. Com isso, me apoderei da função “mãe” e, mesmo sem perceber, comecei a tirar o espaço dele de pai. Se eu tinha que sair para dar alguma consulta à domicílio nos finais de semana, deixava a Clara na minha mãe, que até o ano passado, morava perto de nós! E, com isso, tirava mais o espaço dele de pai.

Os anos foram passando e, cada vez mais eu tirava as funções da Clara dele. Era eu quem levantava e preparava as refeições, era eu quem dava banho, era eu quem trocava as fraldas e, com o desfralde a limpava. Era eu quem a levava para passear, era eu quem sentava no chão para brincar, era eu quem a fazia dormir!

Tudo era eu! Mas eu comecei a ficar extremamente brava com ele, pois ele não fazia nada! Não sabia fazer o leite dela, não sabia fazer o prato bonitinho com a comida dela, não sabia desembaraçar seus cabelos, não levantava do sofá para limpá-la, não sentava no chão para brincar com ela! Ele estava sempre em casa, mas sentado no sofá vendo televisão e, descansando.

Eu cansei, fique cansada! Muito cansada de tudo ser: mãe, mamãe, manhê! Aí, parei e pensei: porque não pai, papai, paiê?

Relembre: O dia em que assumi que precisava de ajuda!

Foi aí que coloquei a mão na consciência e, antes de tirar totalmente a culpa ou falha ou falta de vontade de tentar dele, comecei a perceber que precisava trazê-lo novamente para a função de pai. Sim! Ele é tão responsável por ela quanto eu! Se eu trabalho fora como ele, chego em casa e faço tudo por ela, porque ele não pode fazer também?

Teve um dia que ele virou e me disse: – Você sabia que sou o pai dela e, também sei cuidar dela? Me deixa cuidar do meu jeito! Ele também pode ser o certo!

Com isso, com o cansaço e, vendo a necessidade de que é importante ela tê-lo como referência também, comecei a mudar minhas atitudes:

  • A compra do supermercado é função dele nos finais de semana, então, ela vai junto com ele. E, eles se divertem no mercado;
  • Se eu preciso trabalhar nos feriados ou finais de semana, é com ele que ela fica agora, não mais com minha mãe;
  • Caso eu fique até mais tarde no trabalho, ou tenha algo para fazer de noite, ele fica com o carro (só temos 1), vai trabalhar e depois vai buscá-la na escola. Aí, chega em casa e segue a rotina da noite;
  • Quando chegamos da escola, é ele quem a leva para o banho. Eu chego apenas para lavar o cabelo dela e desembaraçar, pois isso, ele ainda não consegue e, ela não deixa;
  • Se ela vai no banheiro fazer coco, ela já tenta revezar entre nós dois quando nos chama. Mas claro, sempre é o mãe primeiro, mas eu logo viro e falo: pode ir lá que é sua vez;
  • Se eu estou muito cansada, aviso e vou para o quarto descansar. E, ele fica com ela. Isso normalmente acontece no sábado ou domingo, principalmente quando ela não quer dormir cedo e, eu estou caindo de sono. Ou então quando ela acorda cedo e eu quero dormir mais.

Ainda faço mais coisas do que ele, mas a parceria cresceu e, muito! Eu precisei entender que coloquei mais coisas do que aguentava em meus ombros e, que ele precisava entender que também  é pai e, tem tanta responsabilidade quanto eu! Ele vem de uma criação onde a mãe dele fazia tudo sozinho, então, é mais fácil achar que isso é normal. Mas, o lado positivo é que ele percebeu que não é normal e, também quis ter seu espaço nas atividades e funções com a Clara!

Muitas vezes, os homens não sabem exercer a função de pai. E, como teoricamente nós “nascemos” sabendo aos olhos de alguns deles, dar aquela focinha e trazê-los para a função de pai pode ajudar a relação de todos na família!

Beijos!

 

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