Sempre sonhei em ser mãe. Sempre me vi como mãe e realizei o sonho e, de forma avassaladora, a realidade de ser mãe tirou de mim uma parte importante de mim mesma. É, eu me esqueci durante estes 5 anos sendo mãe … Mas sabe o melhor? O dia em que eu me redescobri, foi transformador.

Nunca gostei de focar só no fardo da maternidade. Daquele lado cansativo que todas nós conhecemos e tentei sempre ao máximo focar nas coisas boas, pois assim, minha maternidade ficava mais leve, gostosa de vivenciar. Mas mesmo deixando-a leve, eu tinha me apagado, ou melhor, me esquecido e foi preciso que eu ascendesse a luz e assim, criar coragem para me redescobrir novamente. Sabe a fênix? Pois é, o dia em que eu me redescobri me senti a própria.

Não foi fácil, não É! Precisamos admitir que algo não esta bacana e aceitar que por algum momento a maravilha de ser mãe pode te apagar, digamos assim. E é fundamental. Não é o fato de não gostar de ser mãe, eu simplesmente não me vejo sendo outra coisa. Não é o fato de não amar minha filha, eu a amo incondicionalmente.

RELEMBRE: A primeira viagem sem filho

É simplesmente se amar também, se enxergar, se ver … Perceber que a maternidade é um relacionamento onde todas as partes precisam estar bem, senão, tudo vira uma bola de neve e corremos o risco de acharmos “pelo em ovo”, sabe? Neste meio todo, pensei em me separar do meu marido, mas não por falta de amor, mas porque o conjunto das coisas não estava bacana. Eu não me enxergava mais em um monte de configuração. É, foi preciso ir lá no fundo para renascer. Foi assim no dia em que eu me redescobri.

Já me olhei no espelho e enxerguei uma pessoa apática, cansada, com olheiras e quase sem vida própria! É, me vi assim… e não foi uma vez só, foram algumas, mais do que eu gostaria! Tive aquele momento onde eu não consegui dividir a Paola mãe, da Paola simplesmente Paola e só conseguia olhar para a Paola mãe da Clara.
Precisei olhar bem lá no fundo, me redescobrir e acreditar que a Paola é a mesma Paola e mãe da Clara. Claro que com outras responsabilidades, objetivos e preocupações, mas junto com a mãe, eu também era simplesmente EU!

E foi transformadora essa aceitação! A aceitação de que me tornar mãe, me transformou, mas não precisa me apagar, principalmente de mim mesma! Não era uma cobrança externa e sim interna. Eu me cobrava onde estava a Paola de antigamente. A Paola que era cheia de vida, gostava de se arrumar, de viver e em algum momento, isso tudo esteve escondido de mim mesma.

Minha primeira viagem sem filho, marido. 3 dias de reflexão do que eu queria pra minha vida. Foi ali, que realmente vi que ser mãe era meu sonho, mas que eu também precisava voltar a me enxergar.

Renasci! E este renascimento vem sendo aos poucos, com a volta de algumas coisas que sempre gostei muito em mim, unidas ao processo de aprendizagem sendo mãe!

Relembre: Um dia resolvi me tornar mãe.

Cresci! Cresci como mãe, como mulher, como indivíduo… como profissional! Percebi que sendo uma mulher segura, a minha maternagem ficava melhor e consegui passar mais segurança para minha filha.Não é fácil ser mulher, ainda mais quando a auto estima está abaixo de tudo! Afinal, se eu não estou bem, como posso mostrar que está tudo bem para minha filha?

Hoje me olho no espelho e amo o que vejo. Pode melhorar? Sim, pode! Mas o cansaço do corpo não deixa minha alma cansada. Estou mais feliz e cheia de vida. Cheia de vontade de ir além!

Independentemente da maternidade ter o tal poder da transformação, cansar e não é pouco, a criança não pode carregar o fardo das possíveis mudanças negativas pelas quais passamos! E como pode se meu maior sonho sempre foi ser mãe? Isso era um dos pontos que me fazia pirar: se sempre sonhei em ser mãe, como posso deixar o lado “chato” de ser mãe acabar com minha individualidade? Não pode! Não deve! Não vai!

O dia em que me redescobri foi mágico e fundamental, pois não quero ser aquela mãe que vai olhar para o filho no futuro e dizer: “eu abri mão de tudo por você, minha vida foi só pensar em você!” Minha vida é só pensar na minha filha, mas em mim também. Somos duas pessoas diferentes e isso não diminui meu amor, meu carinho, minhas prioridades. Isso só aumentar e agrega.

Se você está passando por isso, sinta-se abraçada. Acredite, é possível se redescobrir. Busque ajuda, se necessário. Se precisar de mim, estou aqui. Se você não acha tudo isso interessante, não jogue pedras. O mundo precisa de amor e generosidade.

Beijos.

 

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