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Em qualquer dia da semana, 4:50 da manhã começa a tocar o despertador. Ergo a mãos ao alto para o ser humano que desenvolveu a tal soneca do alarme do celular. Por aqui, ela toca mais 2 vezes, até 5:15, horário máximo que posso me dar ao luxo de ficar na cama. Isso em dias que não é rodízio do carro. Levanto, começo a preparar o café da manhã da pessoinha, mostro no Snap do blog (matercolorida) e entre um pão de queijo no forno, um pãozinho caseiro ficando quentinho, levo o leite para a Clara tomar enquanto acorda aos poucos. É, meu dia começa assim há exatos 3 anos…

Depois disso é deixar a Clara na escola, ir para o trabalho, ir buscá-la. Em alguns dias, tenho minhas consultas e consultorias domiciliares, o conteúdo do blog para escrever, os cardápios personalizados para prescrever. Brincar com a pessoinha, servir o lanche da noite, fazer jantar, organizar a casa, conversar com o marido … Ufa! Cansei, é cansei e teve um dia em que eu assumi que precisava de ajuda.

Sério, foi transformador. Na realidade foi um caos, quase que uma guerra, pois eu fui com todas as pedras nas mãos para cima do marido. Sabe panela de pressão a ponto de explodir? Pois é, o dia em que assumi que precisava de ajuda foi assim. É como se eu tivesse jogado merda no ventilador propriamente dito.

Para mim, era (é ainda), meio óbvio que eu fazia demais, que eu precisava de ajuda. Porém, ajuda não cai do céu e eu precisei escancarar, senão, o surto seria mais fundo. Foi bem quando decidi por “n” motivos viajar sozinha, sem a Clara, marido ou qualquer outra pessoa, foi quando tive uma conversa daquelas com ele e eu resolvi aceitar que não sou super heroína e nem preciso ser.

Relembre: A primeira DR com a pessoinha a gente nunca esquece

O dia em que assumi que precisava de ajuda foi transformador, pois eu comecei a deixar claro que, se não tivesse ajuda, várias coisas que eu fazia iriam deixar de ser feitas. Sabe aquilo de: tá com fome? Cozinhe! Quer roupa limpa? Lave! Quer a casa organizada? Faça. No começo, ouve aquele espanto da outra parte: como assim? Mas em meio a conversas, ambos chegaram a conclusão de que era necessário a divisão de tarefas, era necessário aquela ajuda constante e não só nos dias de surto.

Tomamos algumas decisões, dividimos as tarefas e assim seguimos. Além de assumir para meu marido, assumi para todos que estavam ao meu redor. Cheguei de disse: não sou a fortaleza que acham que eu sou e eu preciso respirar. Não esperem tanto de mim, pois eu não consigo. É, assumi de fato, que precisava de ajuda.

Se houve um certo espanto? Claro que houve, afinal, para todos eu sou aquela que não cai nunca, que não desiste jamais e dá conta de tudo. Mas não, não sou! Sou um ser humano normal como todos os outros e sim, preciso de ajuda.

Se permitam desabar, se permitam precisar de ajuda. Dividam. Surtem se necessário, só não descontem no lado “fraco” da relação, que são as pessoinhas! Nos fazermos de mulher maravilha não nos leva a nada, ou melhor, não precisamos ser esta tal super mulher que tanto querem que sejamos. Precisamos de paz, amor, colo, carinho e que sim, dividam as tarefas com a gente. O dia em que assumi que precisava de ajuda foi um divisor de águas por aqui e tudo ficou mais leve.

Beijos.

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