Dizem que nós que ensinamos os filhos, mas em muitos momentos são eles que nos ensinam, e muito! Impressionante como eles simplificam as coisas que nós adoramos complicar. Dias atrás eu levei uma lição da Clara, que cheguei a ficar paralisada enquanto pensava e concordava com a frase que ela tinha finalizado a conversa: é só uma cortina mamãe!

Na árdua tarefa de educar as pessoinhas para serem pessoas melhores e se prepararem para o mundão lá fora, muitas vezes colocamos tanto pelo em ovo, chifre na cabeça de cavalo que pode ficar difícil deles entenderem o porquê de tanta “pegação no pé” por certas coisas. No caso aqui em casa, tive esta certeza com a cortina do meu quarto, afinal, é só uma cortina!

Meu quarto é teoricamente pequeno, cabe a nossa cama queen, 1 criado mudo de 40cm do meu lado e outro de menos de 20cm do lado do marido. O que resulta um “corredor” pequeno para andar do lado dele, que fica na parede da janela, que sim, tem uma cortina!

A cortina é comprida e esbarra no chão. Digamos que por falta de projeção ao colocá-la, mas o fato é que ela esbarra no chão e, toda vez que a Clara vem para minha cama, ela pisa na cortina. De tanto pisar ela está caindo, o que é óbvio! E, toda vez que ela pisa e faz com que o varão da cortina demonstre mais que vai desabar eu falo: você vai derrubar minha cortina e eu vou ficar muito brava com você!

Eu só não esperava que em uma bela noite, a Clara conseguisse transformar todo o “drama da cortina” em algo tão simples! Ela chegou e falou:

Mamãe, quero te fazer um pedido! Tira esta cortina, por favor! Ela arrasta no chão, eu piso sem querer, ela vai cair e você vai brigar comigo. Mas é só uma cortina mamãe! É só uma cortina que está no caminho para subir na cama!

Relembre: A primeira DR com a pessoinha a gente nunca esquece!

Eu paralisei! Paralisei porque de certa forma é verdade: é só uma cortina! Não preciso ficar brava ou estressada por causa de uma cortina que foi instalada na altura errada por nós, os adultos da relação! Preciso sim, ensiná-la a “ultrapassar” a barreira da cortina sem derrubá-la, ensiná-la de uma maneira que uma criança de 5 anos entenda. E não simplesmente falar que se ela cair eu vou ficar brava!

Preciso mostrar que nem sempre tudo é fácil, mas de forma que ela entenda e não fique com medo de entrar e sair. Preciso dar outras alternativas para que ela passe naquele espaço sem pisar na cortina, assim ela não irá cair e machucá-la. Só assim estarei fazendo algo útil para o desenvolvimento dela, para o crescimento e amadurecimento dela.

A cortina se tornou algo que me colocou para pensar: quantas vezes a gente simplesmente fala que vai ficar brava se algo acontecer, mas não explicamos o porque ficaremos brava? Quantas vezes não explicamos a consequência da atitude deles, por exemplo? E quantas vezes a gente fica brava porque nós estamos erradas, mas só enxergamos os erros das pessoinhas e não os nossos?

Como sempre falo, para toda ação tem uma reação e, muitas vezes, nossa ação não é a melhor e claro, a reação será pior ainda. Mas somos os adultos, teoricamente os responsáveis em manter a relação harmoniosa! Por fim, desejo que nossas relações sejam mais tranquilas, afinal, é só uma cortina, mamãe!

Beijos.

 

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