Amamentar NÃO é moda
Ontem rolou o maior bafafá por causa de um texto escroto, sem cabimento, sem embasamento científico sobre amamentação em uma revista materna. Cheguei a postar na FANPAGE, o post teve vários comentários, mas depois que passou pela minha cabeça que era justamente isso que a revista queria “ibope”, deletei o conteúdo.
Todos os comentários foram contra a matéria e somente um buscou entender as duas situações: a mãe que amamenta e a mãe que não amamenta, inclusive veio de uma leitora que gosto muito, é participativa e sensata, ou seja, concordei com a resposta e opinião dela que foi mais ou menos essa:  Mães que amamentam pressionam as que não amamentam, pois o que ouvimos é que amamentar é um ato de amor, é como criamos vínculo com nossos filhos e que bebês amamentados são mais saudáveis e ela sem conseguir amamentar acreditou durante algum tempo que não teria este tal vínculo com seu filho e que o mesmo poderia não ser saudável.
Eu já venho com o outro lado da questão, o lado da falta de estímulo em amamentar que recebi desde a maternidade tão conceituada de São Paulo, nas consultas com 4 pediatras e com algumas opiniões de pessoas próximas de mim:
– No ato da alta hospitalar, a Pediatra de plantão me entregou sua prescrição e me orientou da seguinte forma: Se trocar 2 vezes seu bebê e a fralda estiver seca, ela está desidratada, ou seja, dê tantos mls da fórmula X;
– Nenhuma enfermeira me ensinou a amamentar, o lance da pega correta e saí da maternidade com meus bicos em carne viva, mordia o travesseiro pra amamentar minha filha de tanta dor, vi sangue na boca da Clara ao amamentá-la;
– Na primeira consulta da Pediatra 1, que foi 5 dias após eu ter chegado em casa, Clara não tinha ganho o peso que perdeu na maternidade e a orientação que recebi foi: se ela não ganhar peso em 5 dias, entraremos com a fórmula X;
– O palpite mais descabido que recebi da minha cunhada foi: dá uma mamadeira da fórmula X pra ela às 23hs, assim ela dorme a noite inteira e você descansa (isso quando ela tinha 1 semana de vida);
– Outro palpite descabido de familiares: dá chupeta pra ela, pois ela está usando seu peito como chupeta e você vai virar escrava;
– Consulta com o Pediatra 2 aos 4 meses: começa a dar mamadeira e a fórmula X pq logo você volta a trabalhar e ela tem que se acostumar;
– Consulta com o Pediatra 3 aos 6 meses: Mãe, leva esta fórmula X pra casa, pois você não vai conseguir continuar amamentando, você não vai conseguir ordenhar a quantia necessária de leite pra ela tomar no berçário;
– Consulta com o Pediatra 4 aos 12 meses: está na hora de desmamar, né? Ela precisa conhecer os outros leites.
– Comentário que mais escuto de pessoas próximas: não sei pra que amamentá-la ainda, ela já come tudo ou só até 2 anos então, né?
Eu nunca fui incentivada a amamentar, muito pelo contrário, tive mil motivos pra desistir, pois Clara acordava a cada 1 hora até os 5 meses e eu vivia cansada, cheia de olheiras, pois pouco dormia.
Não tenho empregada todos os dias, apenas faxineira 1 vez por mês que vai em casa apenas pra limpar. Roupa, comida e organização sou eu quem cuido.
Voltei a trabalhar quando minha licença maternidade + férias acabaram e Clara foi pro Berçário, onde eu ordenhava meu leite da loja, congelava e mandava pra escola e as berçaristas davam de colher pra ela, pois eu não dei mamadeira e ela não aceitou o bico rígido.
Trabalhava de segunda à sábado, cuidava da casa … enfim, ao contrário do que falam, não tinha a vida “fácil” pra aderir a amamentação.
Aderi a amamentação por causa de todas suas vantagens pro bebê, lutei contra todos os palpites que recebi, contra todas as orientações de profissionais que recebi, fui atrás de ajuda, venci os bicos em carne viva, venci a pega errada e minha filha sempre ganhou peso, cresceu, se desenvolveu corretamente.
Descobri o ponto de equilíbrio meu e dela e como descansar e nunca me descontrolei ou me tornei a mau humorada por amamentar em livre demanda.
Respeite os sinais de choro da minha filha, dei colo, dei carinho, dei chamego, dei peito e ela sempre parava de chorar.
Respeitei os picos de crescimento, as “manhas” e fomos, ou melhor, estamos indo da nossa maneira aqui em casa.
O que não aceito e acho nojento, descabido é esta falta de informação, essa mania de querer sempre alfinetar um dos lados e pra mim sempre é o lado de quem amamenta que é sacrificado, pois incentivo ainda é pouco, infelizmente as Empresas pegam pesado no incentivo ao uso de fórmulas. Infelizmente os pediatras acham que amamentar é desnecessário e já ouvi isso de mais de um profissional.
Amamentação prolongada então …. pra que???
Eles ainda tem a cara de pau de dizer que o leite perde os nutrientes após 1 ano da criança.
Gente, por favor. Não amamentar por motivos fisiológicos é algo que pode acontecer e em hipótese alguma a mãe deve se sentir culpada por isso. Claro que ela ama seu filho, claro que terão vínculo, claro que ele será saudável.
Mas falar que o bebê chora por fome e como amamentar é moda a mãe acha que é cólica e nada faz pra amenizar o choro do bebê?
Falar que a Maria é quem sabe o que o bebê precisa e não a mãe que quer amamentar?
Falar que o leite em pó é uma maravilha e deixar nas entrelinhas que o leite materno não sustenta a criança??? – Trechos do texto do qual não vou por o link, pois não quero promovê-lo
Sim, várias mães dão complemento pra seus filhos, mas será que esta é a melhor e única solução?
Será que o pediatra que cuida do bebê tentou outras opções pra aumentar a produção do leite da mãe?
Será que o pediatra explicou que o peito fabrica leite enquanto o bebê mama, ou seja, aderir a livre demanda e fugir do padrão “mamar a cada 3 horas” pode ser solução pro “pouco leite”?
Será que o pediatra viu logo na primeira semana que a pega está correta?
Ou melhor, será que as enfermeiras da maternidade onde o bebê nasceu explicou, ensinou como é amamentar???
Amamentar não é assim tão fácil, muito pelo contrário, pra mim é difícil e precisamos sim de ajuda.
Muitas de nós, pelo menos eu achava que ao colocar a Clara no meu peito ela iria imediatamente começar a mamar como se não houvesse amanhã.
Tipo o bebê da lagoa azul que é colocado no mar e saí nadando lindamente.
Gente, a questão não é apedrejar as mães que não amamentam e sim apedrejar os profissionais, jornalistas, revistas que não incentivam a amamentação de forma correta, de que ao invés de fazê-lo desestimulam a continuar, a tentar.
E mães, a maternidade é cheia de culpa porque vocês se permitem se sentir culpada ou te culparem.
Se for assim, eu tenho que sentir culpa porque amamento minha filha de 1 ano e 5 meses, o que é “ridículo”, uma vez que ela já come de tudo.
Beijos
Olha aqui os posts que fiz sobre amamentação:
 
Tive problemas com amamentação logo no começo e neste post conto como superei e segui em frente: http://www.maternidadecolorida.com.br/?p=268
 
Voltei ao trabalho e conto neste post como continuei firme e forte com o aleitamento:
 
Quando chegamos perto de 1 ano, senti meu leite diminuir, me desesperei e neste post conto como fiz: http://www.maternidadecolorida.com.br/?p=180
 
Na consulta do pediatra de 1 ano ele veio com o assunto desmame e falei sobre isso aqui:
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Comentários

  1. Oi Paola! Fiquei chocada ao ler o texto! Sinceramente cheguei a pensar que fosse uma brincadeira, uma piada. (de mau gosto, claro!) Como pode algo tão nojento, bizarro? Não existe essa de menos ou mais mãe porque amamenta ou porque teve parto normal e tal. Mas não há dúvida de que desde que o mundo é mundo o melhor alimento para o bebê é o leite materno. É incrível como os profissionais de saúde não explicam, não ajudam e muitas vezes até atrapalham no que diz respeito à amamentação. Quando isso vai parar? Eu mesma tive dificuldade de amamentar na maternidade e Malu tomou fórmula, meu bico era invertido e as enfermeiras simplesmente “jogaram” Malu em cima de mim deitada e era pra eu amamentar! Mas como? Não tinha nem bico! Mas quando cheguei em casa tive ajuda e amamentei sim, mesmo com bico invertido e amamento até hoje, 13 meses, e será até quando ela quiser! Que essas revistas, jornalistas e pra quem mais interessar: favor não se metam se não puderem ajudar, não falem o que não sabem. Se informem, perguntem!

  2. O que é ridículo mesmo são as mães que amamentam se acharem muito mais mães do que as que não, sendo que elas nem sabem os motivos que levaram essas mães amamentarem. Sem contar aquelas mães que amamentam seus filhos até tres, quatro anos, tendo a coragem de dizer ‘o seu filho será menos saudável que o meu porque mamou só dez meses’ ou ‘mãe que é mãe amamenta até tantos anos’ e mais um monte de asneiras. Se uma mãe não amamentou seu filho, o problema é dela, cada um deve cuidar da sua vida. Assim como as mães que são adeptas a amamentação prolongada não gostam dos comentários maldosos que algumas pessoas fazem como: ‘criança grande mamando no peito???’ e fazem aquela típica cara de nojinho, essas mesmas mães não deveriam se preoucupar com a quantidade de leite materno que o filho de outra pessoas recebeu e nem imporem suas ideias às outras mães.

    1. Anônimo, se você não conseguiu amamentar, não fique jogando água no leite das outras. A situação aqui é a seguinte: se puder amamentar, faça a todo custo, no mínimo nos 6 primeiros meses exclusivamente, para o bem do seu filho. Ser mãe não é, nunca foi, nunca será fácil. Mamadeira com LA é para quem quer facilitar a própria vida e dormir a noite toda. Não tive filho para brincar de casinha.

    2. Anônimo, se você não conseguiu amamentar, não fique jogando água no leite das outras. A situação aqui é a seguinte: se puder amamentar, faça a todo custo, no mínimo nos 6 primeiros meses exclusivamente, para o bem do seu filho. Ser mãe não é, nunca foi, nunca será fácil. Mamadeira com LA é para quem quer facilitar a própria vida e dormir a noite toda. Não tive filho para brincar de casinha.

    3. A questão aqui não é “JORGAR ÁGUA NO LEITE DAS OUTRAS” e sim quebra aquele estereótipo de que mã que não amamenta é uma mãe ruim, fútil e que só busca conforto próprio. Acredito que você não entendeu o significado do meu primeiro comentário, o que quis dizer é que cada mãe deve maternar do seu jeito, sem palpites sem escrúpulos que recebemos sem pedir. As mães que amamentam têm que apoiar as que não amamentaram e levar informação à elas, para que se aconteça uma próxima gravidez, elas sejam capazes de realizar esse ato maravilhoso. E para sua informação QUERIDINHA, amamentei SIM, por 4 anos e 5 meses e mesmo com palpites descabidos (que eu particularmente deixava entrar por um ouvido e sair pelo outro) segui em frente. Minha filha Eloísa tem 6 anos e é super saudável, desmamou quando quis. Não estive “BRINCANDO DE CASINHA ESSE TEMPO TODO” ser mãe é difícil, mas a cada sorriso da filhota o cansaço se esvai. Beijos
      Manuela Padoin Moratti

  3. Manuela, não consigo responder no seu comentário,
    Sou como você, deixo os comentários entrarem por um ouvido e sair pelo outro, pois não sou nada incentivada em amamentar.
    Agora no Natal, uma tia minha que não conhecia minha filha (de 1 ano e 5 meses) a viu mamando e falou:
    Nossa! Ela ainda mama
    e por um segundo parou e perguntou:
    Mas quantos meses ela tem?
    E uma outra tia minha, que é super próxima, super me ajuda e etc respondeu:
    A idade suficiente pra não mamar mais.

    Pois é, é difícil ser mãe, é difícil fazer o que quer, mesmo que saudável, pois sempre vai ter alguém pra meter o pau.
    A mesma coisa com o fato de eu não dar açúcar pra Clara.

    Geeeeente, 4 anos e 5 meses???? Aí que tudo!!!
    Beijos

  4. Texto maravilhoso! Vontade de vê-lo estampado nas capas de todos os jornais, revistas, publicações pelo país! Passando no horário nobre da TV! Ignorância e um império do $ fazendo com que mulheres acreditem não serem capazes. Somos! Há milênios! Requer força de vontade, paciência.. E é lindo! Amei o texto!