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Amamentação é um dos grandes dilemas da maternidade ao meu ver. Há quem se sinta “culpada” por não amamentar, diz que as que amamentam as “recriminam”, que se sentem mau quando pegam uma mamadeira na bolsa e colocam na boca de seus bebês. Tem também as que assumem não amamentar por qualquer motivo que seja sem culpa, sem desculpas, simplesmente não amamentam ou que amamentaram até os famosos 6 meses e ponto, chega está bom é assim que eu mãe decidi que será com o meu filho e por último, tem o grupo das mães que são adeptas à amamentação prolongada até o dia em que ela e seu filho quiserem.

Peraí! Sabe lá qual dia? Como assim sua Cria vai ficar pendurada em seu peito estando grande, comendo de tudo, andando e indo pra escola? Desta forma ela nunca vai se soltar de você, nunca vai desmamar em todos os sentidos da palavra. Ô minha filha, filho é do mundo! Não adianta querer prendê-lo em seu peito que não vai funcionar e outra, é ridículo amamentar criança grande, ainda mais no meio da rua.

Relaxem, leitoras queridas. Esta frase acima não é minha opinião e quem me segue sabe muito bem que não, mas é o que sempre ouço e leio por aí em grupos maternos diversos.

Eu, Paola escolhi amamentar a Clara prolongadamente. Superei todas as minhas dificuldades com a amamentação, o retorno ao trabalho aos 6 meses, a ordenha, o sentimento de achar que meu leite sempre era pouco, o desincentivo de 5 pediatras, de algumas pessoas ao meu redor bem próximas …. venci problemas pessoais, uma depressão que ficou aqui guardada comigo e ainda, sim ainda amamento minha Cria, hoje com 1 ano e 11 meses.

Clara e eu no fim do dia, em nosso momento único, nosso reencontro.

Clara e eu no fim do dia, em nosso momento único, nosso reencontro.

As piadinhas e questionamentos começaram a surgir quando ela tinha 1 ano e 9 – 10 meses, parece que algumas pessoas estão fazendo contagem regressiva pra eu parar de amamentar minha Cria …MINHA Cria, que sim, é do mundo, ou melhor … será do mundo. Será quando ela quiser desmamar do meu leite materno, do nosso leite materno.

Sempre que leio algo sobre ser “ridículo” amamentar crianças grandes, que o leite materno não serve mais pra criança, que a criança vai trocar a comida pelo leite eu respiro fundo pra não explodir e penso:

Porque quem amamenta incomoda tanto? Porque quem amamenta não tem liberdade pra poder amamentar? Porque quem amamenta tem que acreditar que seu leite não é mais alimento fonte de nutrientes pro seu filho e todo e qualquer outro leite é? Porque o leite de vaca ou qualquer fórmula é melhor que o leite materno quando a criança tem mais de 1 ano? 

Calma, não estou falando mau de nenhuma fórmula específica, de algum texto específico ou das mães que não amamentam. Respeito todas as mães e acredito que a liberdade de escolha baseada em informações corretas em como maternar é a melhor coisa.

Mas eu também quero o meu direito de escolha respeitado. Quero que parem de perguntar quando irei desmamar. Quero que parem de me olhar com cara de “o que é isso” quando amamento minha filha de 1 ano e 11 meses.

Segundo a OMS, a amamentação deve ser exclusiva até os 6 meses e prolongada até 2 anos ou mais, ou seja, é indicada a amamentação prolongada.

Cansa, não durmo a noite inteira e ao contrário do que dizem, não, minha filha não é bicho do mato, não vive pendurada em meu peito quando estamos juntas, come de tudo, não saí de casa sem tomar seu café da manhã completo depois de mamar, vai pra escola desde 10 dias antes de completar 6 meses e é super saudável.

Agora vamos ao lado científico da coisa:

Benefícios da amamentação continuada para a criança

  • Diminui o risco de alergias
  • Protege contra infecções respiratórias, entre outras
  • Promove uma melhor nutrição
  • Diminui risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes
  • Reduz chance de obesidade
  • Favorece a capacidade cognitiva
  • Melhora o desenvolvimento da cavidade bucal (Fonte: Dados do Ministério da Saúde)  – Texto Retirado do Bebê.com

Pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida é muito similar ao leite do primeiro ano (Victora, 1984). No segundo ano de vida, 500 ml de leite materno proporciona à criança:

  • 95% do total de vitamina C necessária;
  • 45% do total de vitamina A necessária;
  • 38% do total de proteínas necessárias;
  • 31% de calorias necessárias.

Então eu te pergunto cara mãe que ainda amamenta prolongadamente sua Cria, aquela que ainda tem dúvida se deve ou não continuar amamentando, com toda esta porcentagem de nutrientes, como podem falar que o leite materno não serve pra mais nada?

Leite materno no segundo e terceiro ano de vida das crianças:

O leite materno continua a evitar doenças, facilita a recuperação durante o segundo e terceiro anos de vida e tudo isto porque o leite materno é estéril, isento de bactérias e contém fatores anti-infecciosos que incluem:

  • leucócitos (células brancas vivas) que matam bactérias;
  • imunoglobulinas, que são proteínas muito especiais que transportam os anticorpos para proteger o bebê das doenças contra as quais a mãe desenvolveu uma imunidade;
  • factor bífido que facilita o crescimento de uma bactéria especial (lactobacillus bifidus) no intestino da criança, impedindo que outras bactérias cresçam e causem diarreia;
  • lactoferrina, uma proteína anti-infecciosa que se junta ao ferro, ajudando a eliminar bactérias patogénicas pois nega-lhes esse elemento de que necessitam para crescer (King y Thomson y Gordon, 1991).

Além de nutrir, tem o lado afetivo, o colo de mãe que os bebês tanto gostam e precisam. Quem disse que crianças com 2 anos não merecem mais esse carinho? Porque precisamos tirar isso deles?

A amamentação de bebês mais velhos proporciona uma oportunidade de brincar e uma bebida de conforto, serenidade para bebês cansados, doentes, assustados, contrariados, ajudando-os a superar o stress diário da infância. Porque a amamentação se torna uma forma agradável de bem-estar emocional entre o bebê e a mãe. Muitos bebês gostam, compreensivelmente, de continuar a gozá-la por vezes durante o segundo, o terceiro ou até o quarto ano de vida (Davies,1993).

Independente da idade, o leite materno acaba sempre sendo uma excelente opção, conforme o bebê cresce, ele precisa de outros alimentos, mas o leite materno não perde o seu valor.

O leite materno é o alimento perfeito para bebês humanos. Contém todas as proteínas, gorduras, hidratos de carbono, minerais e vitaminas necessários ao crescimento humano nas proporções corretas para um bebê humano. Estas proporções ajustam-se ao longo do tempo para corresponder às necessidades do bebê (Davies,1993).

Eu sinceramente gostaria de entender porque tem PROFISSIONAL que não segue estudos científicos, pesquisas e etc.

Se uma pessoa que não estuda a área da saúde, não é pediatra ou nutricionista me vem e fala que não é importante a amamentação prolongada, eu respeito, fico quieta e se me for pedida a opinião eu opino e falo tudo isso aí de cima, mas profissionais desencorajarem as mães, prescreverem leite de vaca ou fórmulas logo após 1 ano pra mim é o fim. Não aceito e acho o cúmulo.

Quando eu vou desmamar? Ah! Olha só este diálogo entre eu e a Clara:

Tem como não morrer com tanto amor????

Na minha humilde opinião, a amamentação prolongada é importante sim, o desmame tem que ser feito de forma lenta e quando mãe e filho estão preparados.

As pessoas tem que cuidar mais da própria vida e deixar com que as outras mães decidam como maternar.

Beijos

Algumas informações foram retiradas daqui.

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Comentários

  1. Amamentei meu filho até 2 anos e 8 meses. Sofri muito preconceito, mas não me arrependo da decisão. É uma criança tranquila e segura hoje em dia.